Ara aranha arranha arara ara aranha ara ara ara
Ara ara urde urde urdedura
da aranha não urde nem dura.
Varredura.
Teia feia
que enfeita a casa
abandonada mocegada
assombrada
do sobrado
do sótão e do porão.
A teia na telha do telhado
enfeia e enfeitiça
a feiticeira e sua casa empoeirada.
Ara muito
e pouco ou nada
serve a teia.
Pois a veia
não tem sangue.
Sugado foi pela maldição
da mãe doente.
A aranha aracnideo
não atendeu
ao chamado urgente
da enferma mãe-aranha,
pois muita teia tinha para tecer.
Tecendo ficou até a mãe morrer
amaldiçoando a filha
e seu tecido
que enfraquecido ficou.
E morrendo, a mãe assim falou:
"Aranha, filha minha, muito trabalharás
e pouco colhereis,
pois não vieste me visitar
na hora da minha morte.
Amém.
Centenas de filhotes nascerão,
porém poucos sobreviverão.
Bastará uma espanada
ou uma vassourada
para seu castelo ruir,
já que provaste ser
uma filha ruim.
E assim ficou:
urde urde urde
une une que une
desune une
e a teia frágil tece
diariamente
eternamente
pela praga da mãe moribunda.
Baseado em contos populares recontado por João de Sales ou João Julião.
ResponderExcluirComplementar com a história da abelha.
ResponderExcluirmaser gostei muito do seu poema
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirgostei
ResponderExcluirgostei muito do seu poema muito interessante
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