Menina I
Vendia amendoim na praça,
nos bares, nas ruas, nas festas, na noite.
Adormecia na banco de cimento.
Acordava assustada com o sol na cara
e com o vômito do bêbado
caído ao seu lado.
Tinha pressa.
Frequentava a escola pela manhã.
Mais para dormir sossegada
do que para acordar para vida.
Em casa, o pai, sempre bêbado,
Achava pouco o dinheiro que levava.
"Ainda hei de achar um jeito de sair dessa vida."
Pensava a menina.
Menina morena cresceu.
Deixou de vender amendoim.
O pai, papudim, morreu.
Ela, da escola, se esqueceu.
Não sei como, engravidou.
Abortou...
Novamente engravidou.
Deixou nascer...Ou não conseguiu abortar.
Deu a criança para alguém criar.
Ou alguém adotou.
Já no amor...
De freguês a cliente...
Clientela de primeira:
Depufede.
Depuesta.
Verea...
Delega.
Doutor.
Na vida...
Tudo agora é diferente!
Comida farta e da boa.
Bebida e tira gosto.
Muito riso à toa.
Porém...
Sente dor, uma ardência...
Tem medo de pegar uma DST.
Apesar do preservativo.
Nem sempre ativo.
Preocupada repete:
"Ainda saio dessa vida."
Que vida, menina?!
Não gostei.
ResponderExcluir