terça-feira, 3 de maio de 2011

Hoje estou aqui.
Amanhã... não sei.
Apenas sei que penso estar.
E estarei...
Em qualquer lugar.
Numa dimensão qualquer.
Estarei, sim: Aqui. Ali.
Em qualquer lugar.
Meu corpo,
meu espírito,
meu pensamento...
minhas idéias.
Eu estarei sempre...
sempre, sempre...
Eternamente, sempre.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Um nome à toa

Solto o verbo sem querer.
O Verbo que verbo não o é
por substantivo ser.
Próprio?
Quase impróprio.
Impronunciável,
deveria ser.
Então, te chamo,
sem vontade.
E o que busco?
Talvez,
uma parte de mim
que em ti, se perdeu.
Em vão, procuro,
como num espelho,
a imagem inatingível.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Vovó no ORKUT

Menina, que maravilha!
Descobri o orkut, fiz meu login.
Isso foi maaais do que uma janeeela para mim!!!!!
Encontrei pessoas do passado
Lá do ginasial, tempos idos.
Outras, vivendo em S. Paulo, Paraná, Portugal.
Algumas, aqui mesmo no Ceará.
Bem ali, em outro bairro mas que eu não as via
há algum tempo.
E as descobertas do manuseio...
Perfil, recados, fotos, videos...
Disponível.
Ocupado.
Amigo orkuteiro, amizade orkuteana.
Bacana!
Férias em casa no que dá.
Ai, ai!!!
Vou sair do blogger e vou já orkutar.

sábado, 5 de junho de 2010

O Mapa da Morte



Ouvi dizer que a morte tem um mapa e uma lista infindável que é quase infinita e que nunca chega ao fim, ficando sempre no meio dos seres vivos: homens, mulheres, crianças, animais e plantas.

Quando a rasga-mortalha, mãe-da-lua passa, à noite, rasgando a mortalha que leva no bico... é morte certa. Morte morrida. Minha mãe dizia que para se livrar do mau agouro, ao ouvir o grito da rasga-mortalha, devia-se gritar mais alto que ela: Viva os noivos, Senhor! Vá comer carne no açougue!
Ou quando se sonha com dentes caindo, cariados ou extraídos...morte de um parente próximo. Se os dentes forem os superiores, homens. Se forem os inferiores, mulheres. Se, porém, forem os da frente, pai, mãe ou filhos. Ou quando se sonha comendo carne, indica morte de amigos ou conhecidos.
Mas a morte tem seu mapa. Ela passa muito tempo sem passar e de repente, sai catando, levando...
Ora, no quarteirão em que morei durante trinta e três anos, ela deve ter passado quatro vezes, levando octogenários ou centenários. Tudo muito natural. Fui morar em outro quarteirão, porém na mesma rua. Pois, não é que ela agora resolver atuar. Num período de dois anos, ela passou no antigo quarteirão em que morávamos e levou dez pessoas, entre homens e mulheres, crianças, adultos e idosos. Quando parou de levar os de lá, passou aqui e levou mamãe. Com uma semana, levou um vizinho que tinha acabado de sair de lá, e sete dias depois, outra vizinha que também tinha saido do trecho. Acho que a morte falou: Se mudaram mas eu os encontro.

O mapa da morte deve ser objeto de estudo, pois é não-físico, pode ser metafísico ou psicológico.
Curioso foi que quando fez um ano da morte de minha mãe... a morte levou a vizinha, do mesmo terreno, o mesmo número da casa. Ataque fulminante. Três semanas depois, leva Eulália, ataque fulminante. As duas últimas trabalhavam na mesma escola, uma como funcionária e a outra como voluntária de um grupo de teatro da associação de pais e mestres e comunidade. E nesse interim, havia levado um estudante com leucemia.

A morte ronda... Ora, tão próxima... da casa... da escola...

Domingo passado fiz cinquenta e cinco anos. Outro dia eu sonhei com a data do meu aniversário. Os seis viravam de cabeça se transformando em noves e os cincos se somavam em dez. Acordei assustada. Que transformação acontecerá nesta data anunciada? 9/9/10!

Estou tentando me lembrar com sonhei hoje. Acho que estava esquecida das coisas. Sentada numa cadeira de balanço. Depois, andando na multidão... Falando sozinha... O que será?

Vizinho ímpar, vizinho par. Par...par. ímpar... par...da direita, esquerda. Foram-se. Foram levados. Pra onde? A maioria está sepultada no cemitério Anjo da Guarda, onde está a minha mãe.

sábado, 29 de maio de 2010

Maio malho maior

Abril maio mal chegou, findou.
E antes do fim, levou minha mãe.
Um jardim de rosas, não interessa mais.
Fita a nesga azul do céu e só.
Olha pela janela como quem vê o invisível.
Ouve atenta a voz inaudível dos anjos.
Que importa uma rosa do quintal?
Um raio de sol que entra pela janela mostrando a poeira do ar, embora puro, indica o transporte de luz por onde há de subir aos céus.
Tudo pára.
A fraca respiração já não existe.
O corpo hirto.
A seringa com água na boca não é sugada.
Tudo agora é nada.
O fim chegou.
Temos que tomar as providências para o enterro.
Chama a funerária.
O corpo é conduzido ao hospital para ser examinado.
Atestado de óbito.
Cartório.
Cemitério.
Túmulo.
Celebração.
Lágrimas.
Gramado.
Buraco retangular.
Caixão que desce por roldanas.
Uma prece.
A noite desce.
A cova é coberta por cimento e revestido por um tapete de grama.
Tudo foi consumado.

Em 14 de maio fez um ano.
No mesmo dia, a morte passou por aqui e levou a vizinha.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Evolução dos Deuses


Os deuses evoluem conforme a mentalidade de cada povo, de cada geração, de cada ser. Se "penso, logo existo" é exato no seu pensar, o pensamento é que é real, matéria prima dos deuses, pois materializa o desejar. Portanto, os deuses são a sombra espiritual do corpo material. Pois, quando primitivo, primitivo também eram os deuses, naturais como: o Deus Sol, Lua, Raio, Trovão. Saindo da divindade, vieram para seus representantes na terra: Rei Sol, Rainha das Águas, Senhora dos Raios, Santa Bárbara, e outras e outros.

Da energia pura viemos, certamente, para ela, haveremos de voltar. Somente ao corpo material, físico, caberá a sentença bíblica: "Tu és pó e ao pó voltarás."

Tendo a vida saido das águas, tal as águas-vivas, corpo etéreo, transparentes já tivemos. O transportes de outras energias e outras matérias contribuíram para a transformação do ser de então, e assim, outros corpos tivemos, com outras perspectivas, outras formas de ver a vida e de pensar. Então, posso deduzir que o discordar de hoje pode já ter sido o meu próprio pensar como único e verdadeiro.

Povos como Caldeus olharam o céu e aos astros adoraram. Acreditaram que o destino lá estava, escrito nas estrelas, destino traçado pelos astros, etc. Em tudo há verdades, dependendo do contexto, basta que para isso possamos abrir as portas da alma, da mente, do coração. Então, Tudo é relativo. Somente a energia vital, aquela que anima, portanto a alma é perene, absoluta, porém em constante evolução.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Sob o Viaduto


Em Brasília eu vi sob o viaduto uma menina franzina magricela raquítica magrela morena pálida amarela branquela banguela assanhada despenteada suja descalça com uma pequena bacia na mão. Pedia esmola? Não. Puxava a blusa rasgada pelo pescoço para mostrar o seio - que não tinha - a um homem de bigodão que vinha no seu carrão preto. Meto o grito do alto e o carro que parava, correu. E a menina me olha com um estilete na mão ameaçando subir a rampa do viaduto de grama verde. Ando rapidamente para o ponto do ônibus e o coletivo que vem vindo pára e eu subo e sento junto a um voluntário da pátria veterano de guerra que pede ajuda para sobreviver e um passageiro revoltado nervoso xinga o octogenário e diz: Vá pedir ajuda aos donos da Pátria que por enquanto, nós, trabalhadores, somos apenas escravos sem esperança de alforria. Vá pedir aposentadoria ao presidente, ou no congresso ou na câmara dos deputados. Vá pra ponte que caiu mas não explore a minha paciência nem peça o dinheiro que eu não tenho. Venho de uma entrevista que pelo visto não vou ficar. A vaga é para o sobrinho do delegado de uma cidadezinha do interior que telefonou na hora em que eu estava sendo entrevistado. E eu, palhaço aqui, aluguei palitó e gravata, sapato mandei engraxar, caprichei no visu, estudei o linguajar, tomei suco de maracujá, me olhei no espelho... E eu pergunto: Pra quê?