Abril maio mal chegou, findou.
E antes do fim, levou minha mãe.
Um jardim de rosas, não interessa mais.
Fita a nesga azul do céu e só.
Olha pela janela como quem vê o invisível.
Ouve atenta a voz inaudível dos anjos.
Que importa uma rosa do quintal?
Um raio de sol que entra pela janela mostrando a poeira do ar, embora puro, indica o transporte de luz por onde há de subir aos céus.
Tudo pára.
A fraca respiração já não existe.
O corpo hirto.
A seringa com água na boca não é sugada.
Tudo agora é nada.
O fim chegou.
Temos que tomar as providências para o enterro.
Chama a funerária.
O corpo é conduzido ao hospital para ser examinado.
Atestado de óbito.
Cartório.
Cemitério.
Túmulo.
Celebração.
Lágrimas.
Gramado.
Buraco retangular.
Caixão que desce por roldanas.
Uma prece.
A noite desce.
A cova é coberta por cimento e revestido por um tapete de grama.
Tudo foi consumado.
Em 14 de maio fez um ano.
No mesmo dia, a morte passou por aqui e levou a vizinha.