quinta-feira, 22 de abril de 2010

Nada

Dou de cara com o nada.
Nada nada.
Vazio total.
Mas tão vazio e tão total
que nada é.
Nem buraco negro,
nem escuridão,
nem branco gelo.
Nem neve.
Um vazio tão vazio
e tão esvaziado
que parece mais
um vácuo desmaiado.
Ou um abismo perfurado,
sem fundo.
Ou um céu sem limite,
sem nuvem,
sem estrela...
sem cor, cheiro ou sabor.
Vazio insípido, inodoro, incolor e insolúvel.
Compacto.
Duro e duradouro.
Um vazio que dói e incomoda.
Um vazio fora de moda que pretendo jogar fora.
Agora!
Neste momento jogo este vazio ao vento enquanto você me lê
preenchendo tudo,
colorindo tudo,
iluminando tudo,
animando a alma
que se entusiasma
com a vida que aí está.
E eu,
pronta para amar.
E para o vazio, não mais olhar.
E vê, tão somente, teu olhar
Ao meu mundo iluminar.

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